Moçambique 23 de julho de 1989.
Nina
As raízes de quem fui
Para lembrar que Moçambique
foi a raiz de minha vida. O mundo será pequeno a partir daqui? Quem lerá minhas
confissões, será uma outra menina com sonhos, e os olhos cheios de amor? Será
um ex-soldado que guarda os traumas da guerra em África? Será que alguém lerá
meus poemas? Estou partindo hoje para uma nova vida, longe das minhas raízes,
de onde eu aprendi a usar a minha principal arma que é a escrita.
Da natureza que adentra os corpos
As Folhas, as flores e os frutos
São órgãos que regem a dança
Das árvores que dançam
Com o vento que dita o ritmo
Música raiz
Enraíza-se no chão da terra
Que entre os órgãos
É o nosso coração.
Música raiz
Da infância em África
Entre guerras, lutas e solidão
Sou menina
Querendo ser mulher
Sou saída
Querendo solução
Sou filha
Querendo atenção
A juventude em África
Sou menina
Querendo revolução
Sou ainda menina
Querendo decisão.
Quando a gente é criança
A gente é tão curiosa
A imaginação é tão fértil
Geramos tantos frutos
Criamos tantos sonhos
Que até parecem realidade
Que até parecem árvores.
A minha casa que não era casa
Do meu quintal que era a minha casa
Da minha ama que não era ama
Era mãe
E a mãe que não tinha afeto
E o pai que estava tão perto
A minha casa
Deixo-a para trás
Deixo-a para trás
Irei em busca de outros quintais.
A
quem encontrar essa carta, por favor, não a rasgue ou a coloque no fogo. Pelo
contrário, leia-a, reflita-a, você se identifica comigo ou somos dois seres
humanos completamente diferentes? Seja lá o que for que está pensando nesse
momento, se possível me mande uma resposta. A semente que planto nesse exato
momento ou gerará frutos, caso me escreva, ou morrerá, caso decida jogá-la fora
antes mesmo de receber as primeiras gotas de água.
Um comentário:
isso é sobre você? (bom, nao deixei a semente morrer)
Postar um comentário