sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Encontros

Não vai ser no Tinder
Muito menos no Hornet
Não vou passar por ti no Happn

Vai ser naquela esquina
Na confusão das nossas rotinas
Que tu vai me ver

Caindo de tanto beber
Gole a gole
Mágoas de outro amor.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Pensamentos de um dia cheio, de uma casa escura e de uma cidade perdida no tempo

Uma cidade sem água
Uma cidade sem luz
Um transporte público caro pra chuchu

Um prefeito fantasma
Uma corja de urubus
Morcegos sugando nosso dinheiro (cadê o SUS?)

Sangue correndo pelas vilas, ruelas
Indignados dos castelos gritam:
"cortem a mão, assim não haverá mais ladrão."

A festa junina alegra a criançada
Já que a profissão de professor
tá virando palhaçada.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Bêbado

Meu corpo cheio de mágoas
deita nessa cama de lástimas
Você vem e derrama em mim
Álcool de solidão.

Meu copo cheio de ilusões
Que bebi devagar
gole a gole
beijo a beijo.

Meu copo vazio de esperança
Você bebeu toda
dia a dia
falta a falta.

Meu corpo vazio de esperança
levanta dessa cama de lágrimas
E regorgita
Álcool, mágoa e canção.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Tempo de escrita

Escrita
que fere
que fura
que rasga
a folha de papel.

Escrita
que resgata
que guarda
que revela
Um pouco-tudo de mim.

Escrita-Travessia
Me leva por mares
de palavras que eu nunca vi.

Escrita-Travessia
Me traz a ilhas
de sentimentos que eu nunca quis sentir.

Escrita é travessia
Cheguei e escrevi:
Que saudade de ti.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Raízes de quem fui

Moçambique 23 de julho de 1989.
Nina

As raízes de quem fui
Para lembrar que Moçambique foi a raiz de minha vida. O mundo será pequeno a partir daqui? Quem lerá minhas confissões, será uma outra menina com sonhos, e os olhos cheios de amor? Será um ex-soldado que guarda os traumas da guerra em África? Será que alguém lerá meus poemas? Estou partindo hoje para uma nova vida, longe das minhas raízes, de onde eu aprendi a usar a minha principal arma que é a escrita.

Da natureza que adentra os corpos
As Folhas, as flores e os frutos
São órgãos que regem a dança

Das árvores que dançam
Com o vento que dita o ritmo
Música raiz

Enraíza-se no chão da terra
Que entre os órgãos
É o nosso coração.

Música raiz

Da infância em África
Entre guerras, lutas e solidão
Sou menina
Querendo ser mulher
Sou saída
Querendo solução
Sou filha
Querendo atenção
A juventude em África
Sou menina
Querendo revolução
Sou ainda menina
Querendo decisão.

Quando a gente é criança
A gente é tão curiosa
A imaginação é tão fértil
Geramos tantos frutos
Criamos tantos sonhos
Que até parecem realidade
Que até parecem árvores.

A minha casa que não era casa
Do meu quintal que era a minha casa
Da minha ama que não era ama
Era mãe
E a mãe que não tinha afeto
E o pai que estava tão perto

A minha casa
Deixo-a para trás
Irei em busca de outros quintais.


A quem encontrar essa carta, por favor, não a rasgue ou a coloque no fogo. Pelo contrário, leia-a, reflita-a, você se identifica comigo ou somos dois seres humanos completamente diferentes? Seja lá o que for que está pensando nesse momento, se possível me mande uma resposta. A semente que planto nesse exato momento ou gerará frutos, caso me escreva, ou morrerá, caso decida jogá-la fora antes mesmo de receber as primeiras gotas de água. 

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Um áudio

Escute só,
Minha boca só vai se calar
Quando o silêncio da tua
Na minha falar
Escutou?

terça-feira, 23 de maio de 2017

A LÍNGUA MAIS FALADA

Língua safada
Pensa em dizer tudo
Mas não diz nada

Sai pra fora da boca
E assim,
Como quem não quer nada

Lambe os meus lábios
E a boca molhada diz:
A minha língua é viva!

Mas que língua safada
Preciso labidá-la
Língua safada.

sábado, 13 de maio de 2017

Lutar

Ele chegou
O luto chegou

Depois de nove meses
Sem pedir licença
O luto chegou

Eu que não esperava mais por ele
chegou

O luto chegou
sentou na beira da minha cama
Me deu conselhos e deitou

E eu que não esperava mais
mas ele chegou

Me disse verdades cortantes
Mentiras doídas
E chegou

Deitou comigo
Me abraçou
O luto chegou
Depois de 9 meses
ele chegou

Sinto falta de ti, meu bem
Mas me deixe com ele
o luto chegou.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Caminho na chuva


Os pingos e os meus passos caminham juntos
Buscando as lágrimas que querem ser mar
Elas querem inundar o mundo.

Eu caminho na chuva:
E os pingos que caem
Confundem-se com as minhas lágrimas, que agora são mar
Mas um dia quiseram cair devagarinho
E ser a chuva que também molha a tua janela.